Rabi Yehudá Halevi (c. 1075–1141): biografia, poesia e o Cuzari

Carta da Genizá do Cairo escrita por Yehudá Halevi
Carta de Yehudá Halevi a Chalfon ben Netanel, da Genizá do Cairo, sobre o resgate de uma prisioneira em Toledo (Cambridge, T-S 8J18.5).Imagem: Yehudá Halevi (manuscrito); Biblioteca da Universidade de Cambridge · domínio público · Wikimedia Commons

Rabi Yehudá ben Shemuel Halevi (יהודה הלוי) foi poeta, médico e filósofo da Sefarad medieval, e um dos grandes poetas em língua hebraica. Nasceu por volta de 1075, em Toledo ou em Tudela, e morreu em 1141, ao que parece a caminho da Terra de Israel. É o autor do Cuzari e dos Cantos de Sião.

Ficha rápida

Nome Rabi Yehudá ben Shemuel Halevi
Nasceu Por volta de 1075–1080, em Toledo ou Tudela
Morreu 1141, talvez em Jerusalém (o lugar é incerto)
Ofício Poeta, médico e filósofo
Obras O Cuzari e cerca de oitocentos poemas conhecidos
Amigo Rabi Abraham ibn Ezra

Juventude e formação

Sabe-se pouco de sua juventude. Provavelmente estudou Tanakh, Talmud, árabe e ciências, entre elas medicina, matemática e filosofia. Ainda jovem viajou a Granada, então o principal centro da vida literária judaica, e compôs ali um poema à imitação de Rabi Moshé ibn Ezra para um certame, que lhe deu fama. Já adulto foi médico e participou do comércio e dos assuntos da comunidade; em Toledo sustentava-se com a prática médica.

Amizade com Ibn Ezra

Rabi Abraham ibn Ezra foi um amigo próximo, da época de Granada, e cita várias vezes Halevi em seu comentário bíblico. Uma tradição diz que a filha de Halevi, também poeta, casou-se com Yitzchak, filho de Ibn Ezra. Veja a biografia de Ibn Ezra.

Sua poesia

Conhecem-se cerca de oitocentos poemas: de louvor, amizade, elegia, amor, vinho, enigmas e casamentos, e os de saudade da Terra de Israel. Usava formas de origem árabe, como a muwashshah e o zajal.

Seus contemporâneos e as gerações posteriores o chamaram de “o grande poeta nacional judeu”. É também o autor hebreu mais prolífico de enigmas, com pelo menos sessenta e sete conhecidos.

O Cuzari

A obra, escrita originalmente em árabe, é um diálogo fictício entre o rei dos cázaros e um filósofo, um cristão, um muçulmano e um rabino. O rei avalia cada posição e abraça o judaísmo. Defende a religião revelada diante da filosofia aristotélica, do cristianismo e do islã, e sustenta que se chega a D-us pela tradição e pela devoção mais do que pela especulação filosófica, e que D-us, o povo de Israel e a Terra de Israel estão inseparavelmente unidos. Rabi Yehudá ibn Tibon traduziu-a para o hebraico em meados do século XII.

A viagem à Terra de Israel

Embora fosse honrado em al-Ândalus, decidiu, já idoso, deixar Sefarad rumo à Terra Santa. A fonte atribui sua decisão a uma paixão religiosa, embora também possa ter influído a insegurança dos judeus em tempos da Reconquista. Chegou a Alexandria em 8 de setembro de 1140, onde foi recebido com entusiasmo, e visitou o Cairo. Seu navio partiu do Egito em 14 de maio de 1141.

Não se sabe se chegou a Jerusalém ou se morreu no Egito: “supõe-se razoavelmente” que chegou à Terra de Israel, mas não está confirmado.

Lendas

Uma tradição conta que morreu atropelado por um cavaleiro árabe às portas de Jerusalém enquanto recitava sua Ode a Sião. O primeiro relato aparece cerca de quatrocentos e cinquenta anos depois de sua presumida morte, e é uma lenda. Outra tradição situa seu túmulo e o de Ibn Ezra em Kabul, na Galileia, sem fundamento firme.

Perguntas frequentes

O que é o Cuzari?

Uma obra filosófica em forma de diálogo com o rei dos cázaros, que defende o judaísmo diante de outras posições.

Onde morreu?

Não se sabe com certeza: Jerusalém, Egito ou durante a viagem.

Foi médico?

Sim. Exerceu a medicina em Toledo.

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