O Guia dos Perplexos de Maimônides: o que é, estrutura e temas

O Guia dos Perplexos (Moreh Nevuchim, מורה נבוכים) é a grande obra filosófica de Maimônides. Ele a escreveu em judeu-árabe, entre 1185 e 1190, e a dirigiu, por partes, a seu discípulo Rabi Yosef ben Yehudá de Ceuta.
Ficha rápida
| Autor | Rabi Moshé ben Maimon (Maimônides) |
| Composta | 1185–1190 (por volta de 1190), em Fustat |
| Língua original | Judeu-árabe |
| Destinatário | Rabi Yosef ben Yehudá de Ceuta |
| Estrutura | Três partes |
| Tradução hebraica de referência | Rabi Shmuel ibn Tibon, 1204 |
As três partes
- Primeira parte: a incorporeidade de D-us e os atributos negativos, a homonímia dos termos antropomórficos e a crítica aos métodos do kalam.
- Segunda parte: a cosmologia aristotélica, com rejeição da eternidade do universo, e a profecia, que descreve em onze graus, com Moshé no mais alto.
- Terceira parte: a visão da carruagem de Ezequiel, o mal e a providência, e as razões dos 613 preceitos.
Traduções
Rabi Shmuel ibn Tibon a traduziu para o hebraico no sul da França (1204), com uma revisão em 1213 e um glossário de termos técnicos. A tradução de Rabi Yehudá al-Harizi, sem data nas fontes consultadas, é mais fluida, embora a maioria dos estudiosos a considere inferior.
A polêmica
Algumas comunidades proibiram a obra, e ela foi queimada em Paris em 1233. Os críticos objetaram suas posições sobre os anjos, a profecia e os milagres, e o Raavad objetou que a incorporeidade fosse tratada como dogma. Veja a biografia de Rabeinu Yoná sobre o seu papel nessa controvérsia.
Influência
Foi usada por Tomás de Aquino, Duns Escoto e Mestre Eckhart, e difundiu-se amplamente através do Pugio Fidei de Ramón Martí. Os estudiosos ainda discutem se deve ser lida com um sentido esotérico (Strauss, Pines, Ravitzky, Fox).
Perguntas frequentes
A quem é dirigida?
A seu discípulo Rabi Yosef ben Yehudá de Ceuta.
Em que língua foi escrita?
Em judeu-árabe, isto é, árabe escrito com letras hebraicas.
Por que foi polêmica?
Por suas posições sobre os atributos divinos, a profecia e os milagres.
Fontes
- The Guide for the Perplexed, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Confronto: Sefaria; Stanford Encyclopedia of Philosophy (Samuel ibn Tibbon)