Mishné Torá de Rambam: o que é, estrutura e como se organiza

Manuscrito iluminado da Mishné Torá, por volta de 1400
Manuscrito iluminado da Mishné Torá, por volta de 1400 (copista Yitzchak; iluminação de Matteo di Ser Cambio).Imagem: Maimônides (texto); Matteo di Ser Cambio (iluminação) · domínio público · Wikimedia Commons

A Mishné Torá (משנה תורה), também chamada Yad HaChazaká (“a mão forte”), é o código de lei judaica que Maimônides redigiu em hebraico, no Egito, entre 1170 e 1180. É considerada sua obra-prima.

Ficha rápida

Autor Rabi Moshé ben Maimon (Maimônides, o Rambam)
Composta 1170–1180, no Egito
Língua Hebraico
Estrutura Catorze livros, com cerca de mil capítulos
Outro nome Yad HaChazaká: yad tem o valor numérico 14
Primeira edição Em Roma, entre 1473 e 1480 (data e lugar discutidos)

Os catorze livros

  1. Madá (Conhecimento)
  2. Ahavá (Amor)
  3. Zemanim (Tempos)
  4. Nashim (Mulheres)
  5. Kedushá (Santidade)
  6. Haflaá (Separação)
  7. Zeraim (Sementes)
  8. Avodá (Serviço divino)
  9. Korbanot (Oferendas)
  10. Taharah (Pureza ritual)
  11. Nezikin (Danos)
  12. Kinyan (Aquisição)
  13. Mishpatim (Leis civis)
  14. Shoftim (Juízes)

Como está organizada

Maimônides buscou a brevidade e, em geral, não deu as fontes: só as nomeia no prólogo. Apoiou-se na Torá, no Tanakh, em ambos os Talmudim, na Tosefta, nos midrashim haláquicos (sobretudo a Sifrá e o Sifré) e nas responsa dos geonim. A fonte diz que a ordem dos capítulos segue a matéria e não os princípios jurídicos subjacentes, e que mais tarde lamentou não ter acrescentado as fontes, embora nunca tenha tido tempo de fazê-lo.

A polêmica

Surgiram objeções pouco depois de sua publicação: a falta de fontes e o temor de que substituísse o estudo do Talmud. O crítico mais influente é Rabi Abraham ben David de Posquières (o Raavad), cujas observações são impressas junto a quase todas as edições. Também se objetou a sua nova ordenação e algumas decisões que seguiam a Tosefta ou o Talmud de Jerusalém antes do da Babilônia. Maimônides respondeu que nunca pretendeu suprimir o estudo do Talmud e que omitia as fontes por brevidade. Rabeinu Yoná de Girona contou-se entre seus primeiros opositores.

Sua influência e seus comentários

Segundo a fonte, os judeus orientais seguiram geralmente Maimônides, enquanto os asquenazitas costumavam preferir o Rosh quando divergiam. Os comentários principais são o Maguid Mishné (Vidal de Tolosa), o Kesef Mishné (Rabi Yosef Karo), o Lechem Mishné (Abraham di Boton) e as Hagahot Maimuniyot (Meir HaCohen). O Shulchan Aruch de Karo e o Arbaá Turim de Rabi Yaakov ben Asher se apoiam muito nela: veja o guia do Shulchan Aruch.

Impressão

A edição princeps foi impressa na Itália, provavelmente em Roma, entre 1473 e 1480; há incerteza sobre a data, o lugar e os impressores. A segunda edição italiana, de Gershom Soncino, foi concluída em 23 de março de 1490. No século XV foi impressa pelo menos seis vezes: quatro na Península Ibérica e duas na Itália.

Perguntas frequentes

Por que se chama Yad HaChazaká?

Porque yad (“mão”) vale 14 em guematria, o número de livros.

Por que não cita suas fontes?

Por brevidade, segundo o próprio Maimônides.

Quem a criticou?

Sobretudo o Raavad, cujas glosas aparecem impressas com a obra.

Fontes

  • Mishneh Torah, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
  • Confronto de edições: Biblioteca do Congresso, catálogos Sotheby’s e Kestenbaum

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