Mishné Torá de Rambam: o que é, estrutura e como se organiza

A Mishné Torá (משנה תורה), também chamada Yad HaChazaká (“a mão forte”), é o código de lei judaica que Maimônides redigiu em hebraico, no Egito, entre 1170 e 1180. É considerada sua obra-prima.
Ficha rápida
| Autor | Rabi Moshé ben Maimon (Maimônides, o Rambam) |
| Composta | 1170–1180, no Egito |
| Língua | Hebraico |
| Estrutura | Catorze livros, com cerca de mil capítulos |
| Outro nome | Yad HaChazaká: yad tem o valor numérico 14 |
| Primeira edição | Em Roma, entre 1473 e 1480 (data e lugar discutidos) |
Os catorze livros
- Madá (Conhecimento)
- Ahavá (Amor)
- Zemanim (Tempos)
- Nashim (Mulheres)
- Kedushá (Santidade)
- Haflaá (Separação)
- Zeraim (Sementes)
- Avodá (Serviço divino)
- Korbanot (Oferendas)
- Taharah (Pureza ritual)
- Nezikin (Danos)
- Kinyan (Aquisição)
- Mishpatim (Leis civis)
- Shoftim (Juízes)
Como está organizada
Maimônides buscou a brevidade e, em geral, não deu as fontes: só as nomeia no prólogo. Apoiou-se na Torá, no Tanakh, em ambos os Talmudim, na Tosefta, nos midrashim haláquicos (sobretudo a Sifrá e o Sifré) e nas responsa dos geonim. A fonte diz que a ordem dos capítulos segue a matéria e não os princípios jurídicos subjacentes, e que mais tarde lamentou não ter acrescentado as fontes, embora nunca tenha tido tempo de fazê-lo.
A polêmica
Surgiram objeções pouco depois de sua publicação: a falta de fontes e o temor de que substituísse o estudo do Talmud. O crítico mais influente é Rabi Abraham ben David de Posquières (o Raavad), cujas observações são impressas junto a quase todas as edições. Também se objetou a sua nova ordenação e algumas decisões que seguiam a Tosefta ou o Talmud de Jerusalém antes do da Babilônia. Maimônides respondeu que nunca pretendeu suprimir o estudo do Talmud e que omitia as fontes por brevidade. Rabeinu Yoná de Girona contou-se entre seus primeiros opositores.
Sua influência e seus comentários
Segundo a fonte, os judeus orientais seguiram geralmente Maimônides, enquanto os asquenazitas costumavam preferir o Rosh quando divergiam. Os comentários principais são o Maguid Mishné (Vidal de Tolosa), o Kesef Mishné (Rabi Yosef Karo), o Lechem Mishné (Abraham di Boton) e as Hagahot Maimuniyot (Meir HaCohen). O Shulchan Aruch de Karo e o Arbaá Turim de Rabi Yaakov ben Asher se apoiam muito nela: veja o guia do Shulchan Aruch.
Impressão
A edição princeps foi impressa na Itália, provavelmente em Roma, entre 1473 e 1480; há incerteza sobre a data, o lugar e os impressores. A segunda edição italiana, de Gershom Soncino, foi concluída em 23 de março de 1490. No século XV foi impressa pelo menos seis vezes: quatro na Península Ibérica e duas na Itália.
Perguntas frequentes
Por que se chama Yad HaChazaká?
Porque yad (“mão”) vale 14 em guematria, o número de livros.
Por que não cita suas fontes?
Por brevidade, segundo o próprio Maimônides.
Quem a criticou?
Sobretudo o Raavad, cujas glosas aparecem impressas com a obra.
Fontes
- Mishneh Torah, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Confronto de edições: Biblioteca do Congresso, catálogos Sotheby’s e Kestenbaum