O Cuzari de Rabi Yehudá Halevi: o que é, estrutura e argumentos

Folha de rosto da edição latina do Cuzari de Buxtorf, 1660
Folha de rosto da edição latina do Cuzari de Johannes Buxtorf, de 1660.Imagem: Johannes Buxtorf · domínio público · Wikimedia Commons

O Cuzari (הכוזרי) é a obra filosófica mais conhecida de Rabi Yehudá Halevi. Foi composto em árabe, concluído por volta de 1140 (o ano hebraico 4900, 1139–1140) e toma a forma de um diálogo entre um rabino e o rei dos cázaros, que pergunta sobre o judaísmo em comparação com o cristianismo e o islã.

Ficha rápida

Título original Kitab al-Hujja wa-l-Dalil fi Nasr al-Din al-Dhalil, “Livro da refutação e da prova em defesa da religião desprezada”
Autor Rabi Yehudá Halevi
Concluído Por volta de 1140 (ano hebraico 4900)
Língua original Judeu-árabe
Tradução hebraica de referência Rabi Yehudá ibn Tibon, século XII
Primeira edição impressa Fano, 1506

Estrutura

Está dividido em cinco discursos (maamarim), escritos como diálogo entre o rabino e o rei dos cázaros. O rei avalia cada posição e acaba abraçando o judaísmo. No primeiro discurso defende-se a criação a partir do nada, embora se reconheça que a eternidade da matéria não se opõe de forma absoluta às ideias judaicas; o quinto critica os sistemas aristotélicos e outros.

Seus argumentos centrais

A conversão dos cázaros aconteceu?

A obra situa-se na conversão dos cázaros ao judaísmo. A historicidade dessa conversão é discutida: a correspondência cázara e outros documentos são citados como prova de uma conversão da realeza e da nobreza, mas Moshe Gil e Shaul Stampfer a questionam. Seu alcance é desconhecido.

Traduções e edições

A tradução hebraica principal é a de Rabi Yehudá ibn Tibon, do século XII; a folha de rosto da edição a data em 1167, em Lunel, segundo os catálogos. Passou por onze edições impressas, a primeira em Fano em 1506. Outra tradução, de Rabi Yehudá ben Yitzchak Cardinal, do início do século XIII, conserva-se apenas em parte.

Comentários

Seis comentários foram impressos no século XV, dos quais se conhecem quatro, todos em hebraico: Edut LeYisrael, de Shlomo ben Menachem (perdido); Kol Yehudá, de Yehudá Moscato; e os de dois discípulos de Shlomo ben Menachem, Yaakov ben Parisol e Netanel ben Nechemyá HaKaspi. No século XX, Rabi Shlomo Aviner publicou um comentário em quatro volumes, e David Cohen, O Cuzari explicado, em três.

Influência

A fonte assinala que a obra moldou a identidade judaica. Gershom Scholem traçou uma linha direta dela até o movimento cabalístico, uma opinião de alguns estudiosos. Também interveio nos debates da Haskalá.

Perguntas frequentes

Quem era o rei dos cázaros?

Um personagem do diálogo, inspirado na conversão dos cázaros ao judaísmo, cuja historicidade é discutida.

Quantas partes tem?

Cinco discursos (maamarim).

Em que língua foi escrito?

Em judeu-árabe, e foi traduzido depois para o hebraico e outras línguas.

Fontes

  • Kuzari, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
  • Confronto de edições: catálogos Kestenbaum e Kedem (Fano, 1506); Seforim Blog

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