O Cuzari de Rabi Yehudá Halevi: o que é, estrutura e argumentos

O Cuzari (הכוזרי) é a obra filosófica mais conhecida de Rabi Yehudá Halevi. Foi composto em árabe, concluído por volta de 1140 (o ano hebraico 4900, 1139–1140) e toma a forma de um diálogo entre um rabino e o rei dos cázaros, que pergunta sobre o judaísmo em comparação com o cristianismo e o islã.
Ficha rápida
| Título original | Kitab al-Hujja wa-l-Dalil fi Nasr al-Din al-Dhalil, “Livro da refutação e da prova em defesa da religião desprezada” |
| Autor | Rabi Yehudá Halevi |
| Concluído | Por volta de 1140 (ano hebraico 4900) |
| Língua original | Judeu-árabe |
| Tradução hebraica de referência | Rabi Yehudá ibn Tibon, século XII |
| Primeira edição impressa | Fano, 1506 |
Estrutura
Está dividido em cinco discursos (maamarim), escritos como diálogo entre o rabino e o rei dos cázaros. O rei avalia cada posição e acaba abraçando o judaísmo. No primeiro discurso defende-se a criação a partir do nada, embora se reconheça que a eternidade da matéria não se opõe de forma absoluta às ideias judaicas; o quinto critica os sistemas aristotélicos e outros.
Seus argumentos centrais
- Revelação diante da religião natural: a religião revelada é superior à natural, e os milagres de D-us em favor de Israel são o ponto de partida, não as provas especulativas da existência de D-us.
- O povo, a Torá e a Terra: os judeus são depositários de uma história escrita, e o povo de Israel, a Torá e a Terra de Israel apresentam-se como singulares.
- Crítica à filosofia: chega-se a D-us pela tradição e pela devoção mais do que pela especulação filosófica.
A conversão dos cázaros aconteceu?
A obra situa-se na conversão dos cázaros ao judaísmo. A historicidade dessa conversão é discutida: a correspondência cázara e outros documentos são citados como prova de uma conversão da realeza e da nobreza, mas Moshe Gil e Shaul Stampfer a questionam. Seu alcance é desconhecido.
Traduções e edições
A tradução hebraica principal é a de Rabi Yehudá ibn Tibon, do século XII; a folha de rosto da edição a data em 1167, em Lunel, segundo os catálogos. Passou por onze edições impressas, a primeira em Fano em 1506. Outra tradução, de Rabi Yehudá ben Yitzchak Cardinal, do início do século XIII, conserva-se apenas em parte.
Comentários
Seis comentários foram impressos no século XV, dos quais se conhecem quatro, todos em hebraico: Edut LeYisrael, de Shlomo ben Menachem (perdido); Kol Yehudá, de Yehudá Moscato; e os de dois discípulos de Shlomo ben Menachem, Yaakov ben Parisol e Netanel ben Nechemyá HaKaspi. No século XX, Rabi Shlomo Aviner publicou um comentário em quatro volumes, e David Cohen, O Cuzari explicado, em três.
Influência
A fonte assinala que a obra moldou a identidade judaica. Gershom Scholem traçou uma linha direta dela até o movimento cabalístico, uma opinião de alguns estudiosos. Também interveio nos debates da Haskalá.
Perguntas frequentes
Quem era o rei dos cázaros?
Um personagem do diálogo, inspirado na conversão dos cázaros ao judaísmo, cuja historicidade é discutida.
Quantas partes tem?
Cinco discursos (maamarim).
Em que língua foi escrito?
Em judeu-árabe, e foi traduzido depois para o hebraico e outras línguas.
Fontes
- Kuzari, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Confronto de edições: catálogos Kestenbaum e Kedem (Fano, 1506); Seforim Blog