O Zohar: o que é, estrutura, autoria e como se estuda

O Zohar (זוהר), “o Esplendor” ou “o Resplendor”, é a obra fundamental da Cabala. É um conjunto de livros que comenta os aspectos místicos da Torá e trata da cosmogonia e da psicologia mística. Está escrito em aramaico e a tradição o atribui a Rabi Shimon bar Yochai, do século II.
Ficha rápida
| Título | Zohar (“Esplendor, Resplendor”) |
| Língua | Aramaico (com o Midrash HaNe’elam em hebraico) |
| Atribuição tradicional | Rabi Shimon bar Yochai (século II) |
| Atribuição acadêmica | Rabi Moshé de León (c. 1240–1305), por volta de 1280–1286 |
| Primeiras edições | Cremona, 1558; Mântua, 1558–1560 |
| Gênero | Comentário místico à Torá |
A língua
O aramaico do Zohar é, segundo Gershom Scholem e outros estudiosos, uma forma artificial, baseada sobretudo no Talmud da Babilônia e no Targum Onkelos, com erros gramaticais e empréstimos. Os primeiros cabalistas citavam um texto em parte hebraico; a primeira edição, de 1558, era inteiramente aramaica, salvo o Midrash HaNe’elam, que usa o hebraico.
Estrutura
O Zohar não é um só livro, mas um conjunto. Scholem o divide em vinte e uma seções. Entre as principais:
- O comentário à Torá, que constitui o grosso do texto.
- Sifra DiTzeniuta (“Livro do Ocultamento”): um breve comentário aos seis primeiros capítulos de Gênesis.
- Idra Rabá (“A Grande Assembleia”) e Idra Zuta (“A Pequena Assembleia”): reuniões de sábios em que se discute Cabala.
- Raaya Mehemna (“O Pastor Fiel”): a maior das adições posteriores.
- Tikunei HaZohar (“Reparações do Zohar”), com setenta comentários mais onze adicionais; foi impresso pela primeira vez em Mântua, em 1557.
- Zohar Chadash (“Zohar novo”), com material de manuscritos descobertos depois.
Quem o escreveu?
A tradição
A tradição o atribui a Rabi Shimon bar Yochai e ao seu círculo, no século II. Autoridades como Rabi Yosef Karo, Rabi Moshe Feinstein e Rabi Ovadia Yosef o aceitaram como antigo.
A pesquisa acadêmica
Desde Gershom Scholem (1938), a maioria dos estudiosos o atribui a Rabi Moshé de León, por volta de 1280–1286, em Castela. Esta tese é muito difundida, mas não é aceita sem críticas, e alguns defendem vários autores medievais ou um pequeno núcleo antigo. O testemunho de Rabi Yitzchak de Acre, que conta que a viúva e a filha de Moshé de León reconheceram que ele o havia escrito, foi censurado na edição de 1580 e restabelecido em 1857.
Outros rabinos rejeitaram sua antiguidade, como Rabi Yaakov Emden, Rabi Shmuel David Luzzatto e Rabi Yechezkel Landau. As posições religiosas continuam divididas.
Seu lugar no judaísmo
Por volta do século XV já tinha uma autoridade notável entre os judeus da Ibéria e era citado em discussões legais. Seus defensores elogiavam sua ênfase na devoção interior e seu papel na renovação da oração. Seus críticos diziam que fomentava a superstição e que deslocava o judaísmo rabínico tradicional. Também teve grande influência na Cabala cristã.
Comentários principais
- Ketem Paz, de Rabi Shimon Labi, da Líbia, o primeiro comentário conhecido.
- Or Yakar, de Rabi Moshé Cordovero, o Ramak (cerca de vinte e dois volumes na edição citada pela fonte).
- Um comentário do Gaon de Vilna.
- Ateret Tzvi, de Rabi Tzvi Hirsh de Zidichov.
- Sulam, de Rabi Yehudá Ashlag.
- Masok MiDvash, tradução para o hebraico de Rabi Daniel Frisch.
Perguntas frequentes
O que significa Zohar?
“Esplendor” ou “Resplendor”.
Em que idioma está escrito?
Em aramaico, com partes em hebraico.
Quem o escreveu?
Segundo a tradição, Rabi Shimon bar Yochai; segundo a maioria da pesquisa acadêmica, Rabi Moshé de León no século XIII.
Quando foi impresso?
As primeiras edições são de 1558, em Cremona e Mântua.
Fontes
- Zohar, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Shimon bar Yochai, artigo de referência (Wikipédia em inglês)