Rabi Yitzchak Abravanel (1437–1508): biografia, obras e exílio

Rabi Yitzchak Abravanel (יצחק אברבנאל), também escrito Abarbanel, foi estadista, financista, filósofo e comentarista da Torá. Nasceu em Lisboa em 1437 e morreu em Veneza em 1508. Viveu a expulsão dos judeus da Espanha em 1492, e escreveu depois obras que alimentaram a esperança messiânica dos exilados.
Ficha rápida
| Nome | Rabi Yitzchak ben Yehudá Abravanel |
| Nasceu | 1437, em Lisboa |
| Morreu | 1508, em Veneza; enterrado em Pádua (túmulo desconhecido) |
| Cargos | Tesoureiro do rei Afonso V de Portugal; financista dos Reis Católicos |
| Obras | Comentários à Torá e aos Profetas, Rosh Amaná, Nachalat Avot |
Portugal
Estudou com Rabi Yosef Chaim, rabino de Lisboa, e considerava mestre Rabi Yosef ibn Shem Tov. Foi tesoureiro do rei Afonso V, aproveitando sua perícia financeira e seu patrimônio herdado, e ajudou a resgatar cativos judeus de Arzila, no Marrocos. Após a morte de Afonso, o rei João II o acusou de conivência com o duque de Bragança, executado por conspiração. Fugiu para Castela em 1483 e sua fortuna foi confiscada.
Castela
Em Toledo escreveu um comentário a Josué, Juízes e Samuel. Junto com Abraham Senior encarregou-se de arrecadar rendas reais e de abastecer o exército, trabalho com o qual, segundo a fonte, a rainha Isabel ficou satisfeita.
A expulsão e o exílio
Ofereceu aos Reis Católicos trinta mil ducados para que revogassem o decreto da Alhambra; a oferta fracassou, e saiu da Espanha rumo a Nápoles. Ali entrou ao serviço real. Quando os franceses tomaram a cidade, seguiu o jovem rei Afonso a Messina (1495) e foi depois a Corfu. Estabeleceu-se em Monópoli em 1496 e chegou a Veneza em 1503, onde ajudou a negociar um tratado comercial entre Portugal e Veneza.
A anedota do suborno de seiscentas mil coroas e a de Torquemada e o crucifixo são relatos de tradição com base duvidosa.
Suas obras
- Comentários bíblicos: à Torá (publicado em Veneza em 1579), aos Profetas anteriores e aos posteriores.
- Rosh Amaná (“O cume da fé”): defesa dos treze princípios de Maimônides diante de Crescas e Albo.
- Obras de esperança messiânica: Ma’ayenei HaYeshuá (1496), comentário a Daniel; Yeshuot Meshichó (1497), sobre a literatura rabínica messiânica; e Mashmia Yeshuá (1498). A fonte os chama em conjunto Migdal Yeshuot.
- Zevach Pesach e Nachalat Avot: escritos em Nápoles e impressos juntos em Constantinopla, 1505.
Escreveu-as para fortalecer a esperança messiânica dos judeus espanhóis após a expulsão.
Família
Sua família reivindicava ascendência davídica. Seu filho Yehudá insistiu na pronúncia “Abarbanel”. A fonte não confirma o parentesco com Yehudá Abravanel (Leão Hebreu), que outras fontes lhe atribuem: convém verificá-lo.
Sua sepultura
Foi enterrado em Pádua, mas seu túmulo é desconhecido, porque o cemitério judaico foi destruído durante o cerco de Pádua de 1509.
Perguntas frequentes
O que fez na corte?
Foi tesoureiro do rei de Portugal e depois financista dos Reis Católicos.
Por que escreveu sobre o Messias?
Para fortalecer a esperança dos judeus espanhóis após a expulsão de 1492.
Quando morreu?
Em 1508, em Veneza.
Fontes
- Isaac Abarbanel, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita


