Sefer Chasidim (“Livro dos piedosos”): o que é, autoria e conteúdo
O Sefer Chasidim (ספר חסידים), “Livro dos piedosos”, é a obra fundamental dos Chasidei Ashkenaz, um movimento místico e ascético que floresceu na Alemanha nos séculos XII e XIII. A tradição o atribui a Rabi Yehudá HeChasid de Ratisbona (m. 1217), mas não é obra de um só autor.
Ficha rápida
| Título | Sefer Chasidim (“Livro dos piedosos”) |
| Atribuição | Rabi Yehudá ben Shmuel HeChasid de Ratisbona (m. 1217) |
| Origem | Renânia, entre o final do século XII e o início do XIII |
| Língua | Hebraico |
| Manuscritos | Foram identificados trinta e sete com textos do livro |
| Primeiras edições | Bolonha (1538 segundo a Wikipédia; o Sefaria dá 1487) e Basileia, 1580 |
Quem o escreveu?
É uma obra composta, não uniforme. Segundo as fontes:
- A Shmuel HeChasid, pai de Yehudá, atribuem-se as primeiras vinte e seis seções.
- Moritz Güdemann sustenta que o livro contém três revisões de uma obra original, da qual Yehudá seria sem dúvida o autor.
- Rabi Elazar Rokeach (de Worms), discípulo de Yehudá, fez adições importantes.
- Alguns estudiosos recentes discutem até que Yehudá fosse “autor” em sentido estrito, e Ivan Marcus sustenta que nunca existiu um texto original único. Os copistas e compiladores usaram versões distintas, por isso algumas passagens aparecem duas ou três vezes.
O livro reúne, pois, os ensinamentos combinados de Shmuel de Espira, Yehudá ben Shmuel e Elazar de Worms.
O que contém
O Sefaria o descreve como um guia ético e legal da vida cotidiana. Ensina ao justo como vestir-se, falar, rezar, trabalhar, dormir, tratar os vizinhos não judeus e tomar decisões de vida, como com quem casar e onde viver. Insiste em evitar a honra, a riqueza e o prazer físico, e em geral suas decisões legais são rigorosas.
A Wikipédia enumera, entre seus temas, a piedade, o arrependimento, o Shabat, os tefilin, os tzitzit, as mezuzot, a caridade, o respeito aos pais, a oração e a visita aos enfermos. Combina ensinamentos éticos, ascéticos e místicos com elementos de crenças populares alemãs. Pela abundância de detalhes da vida real, é considerado uma fonte de primeira ordem para estudar a civilização judaica da Alemanha medieval.
Estrutura e edições
- A edição de Basileia tem 1.172 parágrafos; a mais recente, 1.903.
- As duas versões mais conhecidas são a impressão de Bolonha e o manuscrito de Parma. A edição de Wistinetzki, baseada no manuscrito de Parma, foi publicada pela Mekitzei Nirdamim em 1891 e reimpressa em 1955.
- Existem comentários, entre eles Brit Olam, de Rabi Chaim Yosef David Azulai (veja a biografia do Chida), Mishnat Chasidim, de Saadia Helvona, Mekor Chesed, de Reuven Margoliot (1924) e Mishnat Avraham, de Avraham Aharon Price (1955).
- Zunz traduziu para o alemão partes selecionadas.
Importância
Influenciou as práticas religiosas e o estilo literário hebraico de Ashkenaz e marcou o discurso sobre a ética judaica na Europa medieval. A Wikipédia assinala que serviu de autoridade final para autores de Halachá a partir do século XV, uma afirmação sem citação no próprio artigo.
Perguntas frequentes
Quem escreveu o Sefer Chasidim?
A tradição o atribui a Rabi Yehudá HeChasid de Ratisbona, mas é uma obra composta, com contribuições de seu pai Shmuel e de seu discípulo Elazar de Worms.
Quem eram os Chasidei Ashkenaz?
Um movimento místico e ascético da Alemanha dos séculos XII e XIII, sem relação direta com o hassidismo da Europa oriental fundado pelo Baal Shem Tov.
Quando foi impresso?
Em Bolonha (1538 segundo a Wikipédia, 1487 segundo o Sefaria) e em Basileia em 1580.
Fontes
- Sefer Hasidim, artigo de referência (Wikipédia em inglês)
- Sefer Chasidim, ficha no Sefaria
- Judah ben Samuel he-Hasid of Regensburg, Jewish Encyclopedia