Sefer Yetzirá: o que é, autoria, versões e conteúdo

O Sefer Yetzirá (ספר יצירה), “Livro da formação” ou “da criação”, é uma das obras mais antigas e enigmáticas da tradição mística judaica. A tradição o atribui ao patriarca Abraão. É muito breve, mas sua influência sobre o pensamento judaico posterior foi enorme.
Ficha rápida
| Título | Sefer Yetzirá (“Livro da formação”) |
| Atribuição tradicional | Abraão; uma minoria cita Rabi Akiva |
| Data | Discutida: os estudiosos dão entre os séculos II e VI; já existia no século X |
| Primeira edição impressa | Mântua, 1562 |
| Tema | A criação por trinta e duas “sendas de sabedoria” |
Autoria
O livro o atribui a Abraão: o apêndice (6:15) diz que Abraão recebeu a revelação, e as autoridades rabínicas em geral o aceitaram. O Ramak cita uma opinião minoritária segundo a qual o escreveu Rabi Akiva, ou que Abraão o escreveu e Rabi Akiva o redigiu. A pesquisa moderna não chegou a um consenso sobre sua origem.
Data
A Jewish Encyclopedia situa seus elementos essenciais nos séculos III ou IV; há quem proponha o século II a.E.C. ou o século II da era comum, e a maioria dos estudiosos o data entre os séculos II e VI, embora se tenha defendido o século IX em um contexto islâmico. Com certeza existia no século X. Não há edição crítica.
Versões
- A versão curta, de cerca de 1.300 palavras, que é a base da primeira edição impressa.
- A versão longa, de cerca de 2.500 palavras, com passagens que não estão na curta.
- A versão de Saadia, uma reorganização da longa, com o comentário de Saadia Gaon do século X, mais filosófico que místico.
- A versão do Gra: o Ramak elaborou um texto de trabalho a partir de dez manuscritos, o Arizal o harmonizou com o Zohar e o Gaon de Vilna o redigiu de novo no século XVIII. Veja as biografias do Ramak, do Arizal e do Gaon de Vilna.
Conteúdo
Descreve a criação por “trinta e duas sendas misteriosas de sabedoria”: as dez sefirot (números) e as vinte e duas letras. As letras agrupam-se em três “mães” (álef, mem, shin), sete “duplas” (bet, guimel, dalet, kaf, pe, resh, tav) e doze “simples”. As três mães correspondem ao ar, à água e ao fogo, as sete duplas aos planetas, aos dias e às aberturas do corpo, e as doze simples aos signos zodiacais, aos meses e aos órgãos.
A edição de Mântua
Foi impresso pela primeira vez em Mântua, em 1562, por Yaakov ben Naftali de Gazolo, com a versão curta rodeada de comentários, e a versão longa no final. Os comentários são de Rabi Yosef ben Shalom Ashkenazi (atribuído erroneamente a Rabi Abraham ben David de Posquières), de Rabi Elazar de Worms, do pseudo-Saadia e do Ramban.
Influência
A fonte recorda a apreciação da Jewish Encyclopedia: poucas obras depois do Talmud tiveram tanta influência no pensamento judaico. É considerada um elo inicial no desenvolvimento das ideias cabalísticas, embora suas sefirot difiram das da Cabala posterior.
Perguntas frequentes
Quem o escreveu?
A tradição o atribui a Abraão. Os estudiosos não chegaram a um consenso.
O que são as trinta e duas sendas?
As dez sefirot e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.
Quando foi impresso?
Em Mântua, em 1562.
Fontes
- Sefer Yetzirah, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Confronto da edição de Mântua, 1562: catálogos de leilão e bibliografia