Sefer Yetzirá: o que é, autoria, versões e conteúdo

Folha de rosto da edição de Mântua, 1562, do Sefer Yetzirá
Folha de rosto da edição princeps do Sefer Yetzirá, Mântua, 1562, com os comentários de vários autores.Imagem: Yaakov ben Naftali de Gazolo · domínio público · Wikimedia Commons

O Sefer Yetzirá (ספר יצירה), “Livro da formação” ou “da criação”, é uma das obras mais antigas e enigmáticas da tradição mística judaica. A tradição o atribui ao patriarca Abraão. É muito breve, mas sua influência sobre o pensamento judaico posterior foi enorme.

Ficha rápida

Título Sefer Yetzirá (“Livro da formação”)
Atribuição tradicional Abraão; uma minoria cita Rabi Akiva
Data Discutida: os estudiosos dão entre os séculos II e VI; já existia no século X
Primeira edição impressa Mântua, 1562
Tema A criação por trinta e duas “sendas de sabedoria”

Autoria

O livro o atribui a Abraão: o apêndice (6:15) diz que Abraão recebeu a revelação, e as autoridades rabínicas em geral o aceitaram. O Ramak cita uma opinião minoritária segundo a qual o escreveu Rabi Akiva, ou que Abraão o escreveu e Rabi Akiva o redigiu. A pesquisa moderna não chegou a um consenso sobre sua origem.

Data

A Jewish Encyclopedia situa seus elementos essenciais nos séculos III ou IV; há quem proponha o século II a.E.C. ou o século II da era comum, e a maioria dos estudiosos o data entre os séculos II e VI, embora se tenha defendido o século IX em um contexto islâmico. Com certeza existia no século X. Não há edição crítica.

Versões

Conteúdo

Descreve a criação por “trinta e duas sendas misteriosas de sabedoria”: as dez sefirot (números) e as vinte e duas letras. As letras agrupam-se em três “mães” (álef, mem, shin), sete “duplas” (bet, guimel, dalet, kaf, pe, resh, tav) e doze “simples”. As três mães correspondem ao ar, à água e ao fogo, as sete duplas aos planetas, aos dias e às aberturas do corpo, e as doze simples aos signos zodiacais, aos meses e aos órgãos.

A edição de Mântua

Foi impresso pela primeira vez em Mântua, em 1562, por Yaakov ben Naftali de Gazolo, com a versão curta rodeada de comentários, e a versão longa no final. Os comentários são de Rabi Yosef ben Shalom Ashkenazi (atribuído erroneamente a Rabi Abraham ben David de Posquières), de Rabi Elazar de Worms, do pseudo-Saadia e do Ramban.

Influência

A fonte recorda a apreciação da Jewish Encyclopedia: poucas obras depois do Talmud tiveram tanta influência no pensamento judaico. É considerada um elo inicial no desenvolvimento das ideias cabalísticas, embora suas sefirot difiram das da Cabala posterior.

Perguntas frequentes

Quem o escreveu?

A tradição o atribui a Abraão. Os estudiosos não chegaram a um consenso.

O que são as trinta e duas sendas?

As dez sefirot e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Quando foi impresso?

Em Mântua, em 1562.

Fontes

  • Sefer Yetzirah, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
  • Confronto da edição de Mântua, 1562: catálogos de leilão e bibliografia

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