Mesilat Yesharim do Ramchal: o que é, estrutura e como lê-lo

Mesilat Yesharim (מסילת ישרים), “O caminho dos justos”, é o livro de ética judaica mais conhecido do Ramchal, Rabi Moshé Chaim Luzzatto. Ele o escreveu em Amsterdã e foi publicado em 1740. Propõe um caminho gradual, em etapas, do estudo da Torá até a santidade.
Ficha rápida
| Título | Mesilat Yesharim (“O caminho dos justos”) |
| Autor | Rabi Moshé Chaim Luzzatto, o Ramchal |
| Escrito em | Amsterdã; o manuscrito mais antigo conhecido é de 1738 |
| Primeira edição | Amsterdã, 1740 |
| Gênero | Ética judaica (mussar) |
Como está construído
Ao contrário de muitos livros de mussar, que se ordenam segundo a lista de traços que o autor quer tratar, Mesilat Yesharim apoia-se em uma baraita atribuída a Rabi Pinchas ben Yair (Avodá Zará 20b). Essa baraita enumera uma escada de conquistas, de modo que cada uma conduz à seguinte. O ensinamento começa assim: “A Torá leva ao cuidado (zehirut), o cuidado leva à diligência (zerizut)…”.
Cada etapa é tratada do mesmo modo: o que é, como se adquire e o que a prejudica.
As etapas
Após uma introdução e um primeiro capítulo sobre a obrigação geral do homem em seu mundo, o livro percorre nove etapas:
- Cuidado (zehirut)
- Diligência (zerizut)
- Limpeza (nekiut)
- Separação (perishut)
- Pureza (taharah)
- Piedade (chasidut)
- Humildade (anavá)
- Temor do pecado (yirat chet)
- Santidade (kedushá)
A baraita original continua com o espírito de santidade e a ressurreição dos mortos, que o livro não desenvolve como capítulos.
Uma forma de escrever
O manuscrito mais antigo conhecido toma a forma de um diálogo entre um sábio (chacham) e um piedoso (chasid). Antes de ser publicado, foi reescrito com um só falante.
Sua influência
- Alcance: considera-se talvez o texto de ética judaica mais importante da época moderna inicial. Teve dez edições entre 1740 e 1835.
- O Gaon de Vilna: conta-se que o Gaon de Vilna não encontrou uma só palavra supérflua nos primeiros onze capítulos e que teria viajado para aprender com o autor. É um testemunho relatado, não verificado nas fontes consultadas.
- O movimento do mussar: Rabi Yisrael Salanter o colocou no centro do estudo do mussar nas yeshivot da Europa oriental.
- Em inglês: Mordecai Kaplan publicou a primeira tradução para o inglês na Jewish Publication Society, em 1936.
Como lê-lo
- Do início ao fim, em ordem. Cada etapa prepara a seguinte.
- Com lápis. É um livro para trabalhar: cada capítulo propõe uma prática.
- Uma etapa de cada vez. O autor insiste em que não se avança se a etapa anterior não estiver assentada.
Relação com outras obras
- Compartilha o objetivo com Shaarei Kedusha de Rabi Chaim Vital, embora a construção seja distinta: veja o guia das portas.
- Outro clássico do mussar com fundamento cabalístico é Tomer Devorá.
Perguntas frequentes
Quem o escreveu?
Rabi Moshé Chaim Luzzatto, o Ramchal, em Amsterdã.
O que significa o título?
“O caminho dos justos”. Mesilá é uma via, um caminho traçado.
No que se baseia?
Em uma baraita de Rabi Pinchas ben Yair do tratado Avodá Zará 20b, que enumera uma escada de virtudes.
É preciso saber hebraico para lê-lo?
Não. Existem traduções para numerosos idiomas.
Fontes
- Mesillat Yesharim, artigo de referência (Wikipédia em inglês) e as fontes que cita
- Moshe Chaim Luzzatto, artigo de referência (Wikipédia em inglês)